Insônia, e outras novas mazelas socias

Bloguices25/03/2008 2:25

Eu acredito em dragões não porque os vejo, mas porque os sinto. E os ouço cantar.

Pelo menos tenho um salvo conduto para pensar assim: Aqui da minha janela eu posso ver um ninho de dragões no fim da vista. Vou para a janela da sala, olho um pouco para a esquerda e no fim da vista, lá no fundo, estão os dragões. Eles estão muito longe para que eu possa vê-los, mas de noite eles ficam de certa forma visíveis, pois as labaredas de fogo que eles cospem podem ser observadas daqui. Eles ficam a noite inteira jogando labaredas enormes para o céu. Não estou mentindo, posso provar a qualquer um que vier aqui em casa a noite que é possível ver dragões daqui.

Dragões são criaturas fantásticas, e digo isso porque falo com eles. Na verdade, eu os ouço, eles que falam comigo. Falam que ser dragão é fantástico, que o couro que os cobre é resistente a muitas coisas, inclusive a insultos. Contam que suas asas são poderosas, fortes, do tamanho de um grande avião. E quando eles rondam por aqui posso ouvir o bater das asas de um dragão. O barulho que elas fazem é mágico. Eles são enormes, e mesmo assim tem asas fortes para viajar para onde desejam. As asas de um dragão raramente se cansam.

Suas garras podem destruir, marcar, resgar com facilidade todos os materias do mundo. Não existe o que resista a um dragão furioso. O sopro do dragão é a expressão máxima do poder da natureza, a chama produzida por um dragão é capaz de aquecer a mais gelada alma, é capaz de forjar o mais resistente ferro. E fico feliz em saber disso tudo.

Pois eles me contaram que um dia eu serei dragão também.

Uma noite me contaram, por seus grunidos. No começo eu apenas achava que era grunidos. Mas percebi que eram os dragões falando comigo. Hoje posso ouví-los cantar. E todas as oites, eu vou até a janela, ver os dragões do fim da vista, para ver suas belas labaredas e ouvir seu canto. Porque sei que um dia eles virão me buscar, por essa mesma janela, e eu serei dragão, para ter a pele forte, as garras destruidoras e o fogo que tudo queima. Numa noite qualquer eles virão. 

Bloguices, Geral19/03/2008 5:22

Existe uma formiguinha que passa por dentro da minha cabeça, conversando com meus neurônios. Nada de sinapse, tenho poucos neurônios e cada um está ocupado demais com alguma coisa para ficar se conectando com outros. Eles usam a formiguinha de office boy mesmo.

Essa formiguinha é uma graça, ela se chama Sperlat Rufus Abdal. Se alojou no espaço vazio que apareceu no meu cérebro quando 78% dos meus neurônios morreram no que ficou conhecido como "a tragédia de Recife", onde eu misturei tudo que era alcoólico que via na minha frente e pela primeira e única vez na vida, vi dobrado, por uns 15 minutos antes de desmaiar as 2 da manhã numa sala da 8ª série de um colégio público na Casa Amarela, um bairro de Recife. E o pior, isso é verdade.

 Mas enfim, a formiguinha e pãns. Ela se alojou no meu cérebro durante o coma alcoólico. Ela queria fazer um formigueiro para suas irmãs, um espaço altamente moderno e alternativo. Ficou se distraindo medindo as paredes e pensando nas cores que ia pintar que quando se deu conta eu já estava no Rio de novo.

A formiguinha me disse que assumiu que estava muito relapsa com a troca de informações, o que me impossibilitava de escrever no blog. As vezes ela dormia e putz, era difícil até andar ("faz com a mão ou com o pé? *baba*). Mas ela prometeu ser mais ágil daqui para a frente, e me ajudar com a postagem do novo blog. Por isso que agora tentatei postar sempre com uma linha: Uma noite de insônia como essa, um post, para distrair. Afinal, o blog leva esse nome. Agora eu vou ter que parar de escrever porque Sperlat está com vontade de ir ao banheiro e aí se eu não sair eu posso desligar a qualq

Bloguices22/12/2007 15:49
Ok, vamos começar partindo do princípio que todo o mundo que está aqui, lendo o primeiro post, é porque já conhecia o blog antigo. Meu blog de maior sucesso, "Sonambulismo e outras Mazelas Sociais", era uma criação individual e coletiva, já que eu fazia em parceria com Jack McFool, meu amigo imaginário. Esse blog me rendeu mulheres, casa carro, grana, fama e a vontade de contar mentiras, como nessa frase aqui. Ganhei dinheiro com ele o suficiente para comprar algumas besteirinhas, tudo ia bem, tinha uma média de 200 visitas únicas por dia, etc… até que o Tio Mojo foi embora, dizendo que ia comprar cigarros.
 
Para quem não sabe, o que talvez seja 97% dos potenciais leitores, o Tio Mojo é aquela capacidade de fazer algo muito bem, é "aquilo" que te empurra. Pois bem, em Janeiro de 2007 eu dei um ponto final no pobrezinho. É melhor assumir logo de uma vez que a coisa acabou do que deixar o cadáver fedendo no meio da rua. Nesse meio tempo eu coloquei uma aliança na mão direita, o Botafogo teve o pior melhor ano do mundo, o ACM foi cuidar pessoalmente de sua sede do governo baiano no inferno, eu comecei a trabalhar num estúdio musical, eu passei a fazer cursos de áudio e me interessar cada vez mais no assunto. Fui perdendo contato com aqueles amiguinhos blogueiros e senti saudades.
 
O fato é que eu não tenho mais o tempo livre que eu tinha nos primórdios do Sonambulismo. Meu trabalho tem uma agenda louca, que pode ser tanto de manhã quanto de noite até altas horas da madrugada. Escrever estava ficando cada vez mais apertado. Mas ultimamente, eu vinha tento idéias produtivas… ou simplesmente toscas mas engraçadas, e pessoas que acredito não serem capazes de ler pensamento divulgando as mesmas antes de mim. Eu estava perdendo tempo.
 
E o impulso final foi a vontade de montar em livro digital (e-book) os melhores textos do Sonambulismo. Estou em fase de seleção, e quero lançar em Agosto a obra, quando o blog faria 4 anos. Relendo o que eu escrevi, foi me batendo uma saudade daquela coisa de ter uma idéia louca e correr em direção ao editor de textos do blog. No começo, eu sei, poucos virão, como iam poucos no começo do Sonambulismo. Eu nem lembro do endereço de todos, mas assim que essas pessoas forem comentando eu vou colocar o nome ali no menu do lado.
 
Porque eu acho que o Tio Mojo voltou com os cigarros que ele disse que ia comprar.